Estudantes da Universidade do Porto desenvolvem equipamento para medição de temperaturas à distância

Estudantes da Universidade do Porto desenvolvem equipamento para medição de temperaturas à distância

15/05/2020 0 Por Redacção

Uma equipa de estudantes de Engenharia da Universidade do Porto projectou e construiu um equipamento que permite medir temperaturas à distância, com aplicação na monitorização de pessoas antes de entrarem em aeroportos, lojas, escolas ou outros estabelecimentos. A equipa é constituída por mais de 20 pessoas, provenientes de áreas tão diversas como Engenharia Electrónica, Engenharia Óptica ou mesmo Medicina.

O IEEE Spectrum, portal do maior instituto mundial de Engenharia, entrevistou Pedro Brandão, doutorando em Engenharia Mecânica que participou neste projecto, tentando saber mais sobre as motivações e detalhes por trás desta tecnologia.

Brandão revela que a vontade da equipa é “tentar parar a disseminação do COVID-19 e reduzir o risco de infecção”, utilizando para isso “um dispositivo barato” que não necessite de contacto físico. O equipamento foi construído com recurso a uma impressora 3D e a uma cortadora a laser, e utiliza Arduino, uma plataforma de electrónica open source, para ler a temperatura da pessoa com recurso a um sensor. Isto pode parecer desafiante para quem não é da área, mas Brandão garante que a utilização da máquina é bastante simples e eficaz.

Este dispositivo está feito para ser montado numa parede, fora de um edifício ou espaço público. A pessoa coloca-se a cerca de 20 centímetros do equipamento, e um sensor lê a temperatura e mostra-a num ecrã. Se a temperatura for elevada, o dispositivo sugere que a pessoa faça um teste ao COVID-19. O processo demora menos de 20 segundos

Pedro Brandão, doutorando em Engenharia Mecânica na Universidade do Porto

Para esta equipa de estudantes, o maior desafio foi “desenhar uma máquina fácil e barata de construir”. Há uma grande preocupação por parte do colectivo responsável por este projecto em ter um produto de acesso simples e barato, e para isso querem garantir que “cada aparelho é fácil de preparar por outros engenheiros”, como parte dos seus testes.

Brandão finaliza informando que vão começar a testar um protótipo em breve, certificando a precisão do sensor de temperatura, mas acrescenta que gostariam de ter acesso a um sensor de radiação infravermelha para obter resultados mais fiáveis – contudo, tal não será possível sem a contribuição de uma instituição governamental ou de um laboratório, devido ao custo e às condicionantes no acesso a essa tecnologia.

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