Huawei vê-se limitada por pressões americanas e britânicas

Huawei vê-se limitada por pressões americanas e britânicas

26/05/2020 0 Por Redacção

Não têm sido tempos agradáveis para a Huawei. Ao longo do último ano, viram-se impedidos de fabricar equipamentos novos com os serviços Google – as aplicações que todos usamos e que são essenciais, pelo menos fora do universo chinês. Contudo, as sanções e pressões não ficam por aí – os Estados Unidos da América e o Reino Unido querem continuar a restringir a expansão da empresa fora da China.

Os EUA – na pessoa de Donald Trump – introduziram novas restrições, agora relacionadas com hardware, e o Reino Unido – através de Boris Johnson – quer limitar o envolvimento da multinacional chinesa nas novas redes 5G do seu país.

O bloqueio americano

Do lado americano, um novo embargo imposto pela administração de Trump vai limitar a produção dos chips Kirin… sim, a própria marca de processadores da Huawei. Como? Através de um bloqueio às exportações dos Estados Unidos para as empresas chinesas. Para a produção dos chips Kirin, a Huawei depende da TSMC, uma das maiores fabricantes de semiconductores do mundo.

A TSMC é de Taiwan, mas opera sob as regras americanas, para conseguir fugir deste fogo cruzado – e tem conseguido, mantendo contratos com a Apple, a Qualcomm e a AMD, para nomear algumas empresas. Ora, prosseguindo sob as regras dos EUA, a TSMC não quererá continuar a trabalhar com a Huawei, levando a marca chinesa a não conseguir obter os seus próprios processadores.

Neste caso, a Huawei provavelmente fará novo acordo com a MediaTek, pelo menos nos equipamentos da série Honor. A MediaTek já vende chips com suporte a 5G, mas certamente que não será a mesma coisa. Nos equipamentos MediaTek, os utilizadores queixam-se, sobretudo, de demoras nas actualizações, e de desgaste mais rápido ao nível de bateria. Na questão das actualizações, tipicamente o entrave é a própria MediaTek, que não liberta o código-fonte das drivers que os equipamentos utilizam – neste caso, as marcas têm de aguardar que o fabricante de chips as actualize.

A barreira britânica

A novidade na questão dos bloqueios ocidentais à Huawei vem do Reino Unido. Boris Johnson tem sido pressionado pelos Conservadores a restringir a actividade da empresa chinesa no Reino Unido, um pouco na mesma linha do que se tem feito nos Estados Unidos.

O novo plano é o de eliminar totalmente tecnologia da Huawei nas redes 5G britânicas até 2023, algo que deixará a Casa Branca contente. Esta movimentação política é apenas isso, política – há zero ponderação sobre questões técnicas e tecnológicas, e jornais como o The Guardian falam mesmo num “sentimento anti-China”, alimentado pela pandemia de COVID-19. Até agora, não houve qualquer comentário por parte do primeiro-ministro britânico.

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